Artigos Ideval Munhoz

O futuro do data center

t systems (106)Dos enormes cabos que conectavam as antigas salas de computadores, aos sistemas redundantes e autônomos de hoje, o data center evoluiu muito. Em pouco mais de 50 anos, a tecnologia evoluiu de uma forma que exigiu constante reinvenção de quem se prestava a trabalhar com quaisquer formas de processamento de dados: cabeamentos externos passaram a ser instalados no teto ou em piso elevado, refrigeração de mainframes virou uma preocupação constante e, finalmente, a automatização de serviços veio para substituir a presença e input humano onde estas eram outrora exigidas.

Pensem o que quiser, mas muitas tendências em tecnologia foram antecipadas – ou, no mínimo, popularizadas – pelo método de “tentativa-e-erro” na instalação de data centers. O problema disso, hoje, é que erros são tão minimizados que o exercício da criatividade em se antecipar ou, mais ainda, criar uma nova tendência, vem sendo mais e mais evidente. O que posa a pergunta: qual será o futuro dos data centers?

Eu gosto da ideia de que, logo menos, em torno de cinco ou 10 anos, as ideias mais inusitadas se tornarão padrão: há quem defenda que a miniaturização de hardware – um fator constante na computação pessoal – vá exercer um papel na evolução do data center. Faz sentido: tecnologias de tamanho reduzido que funcionam sem perda de desempenho são algo comum em nossas vidas (vide smartphones cada vez mais finos, unidades de processamento cada vez menores e mais capazes etc.) trariam o benefício adicional de menos espaço físico ocupado, maior facilidade de gerenciamento, o que daria amplitude para data centers mais aplicados, com mais peças…

Existem também os defensores de que, eventualmente, tudo estará na nuvem. Como presidente da T-Systems, este é um modelo que vejo com bons olhos, uma vez que tudo o que nós fazemos gira, em algum grau de percepção, em torno do cloud. Ora, mesmo a nossa matriz alemã ressalta a segurança e a qualidade na proteção de dados de nossos data centers – uma característica conhecida no país como “Cloud Made In Germany” (“Nuvem feita na Alemanha”), que atesta pela priorização à proteção de dados, o que por sua vez nos levou à parcerias como Salesforce e Microsoft, entre outras. O CEO do grupo Deutsche Telekom – a nossa empresa parental -, Tim Höttges, disse que “nossos clientes gozam de um ‘Fort Knox de tecnologia de ponta’ cujo provedor eles confiam plenamente”.

De soluções automatizadas à simples oferta de espaço e hospedagem, a computação em nuvem evoluiu de um simples conceito (nos idos de 2009 e 2010) para uma instituição tecnológica padronizada, que hoje é o método principal de atuação em soluções tanto pessoais como corporativas. Prova disso é a miríade de soluções existentes: Google Docs, Dropbox, todas as soluções da SAP – seja físico ou jurídico, a nuvem tem algo para você.

E também já vi as soluções mais ousadas, que mexem na estrutura física em si. Claro, estas são passíveis de estudos que meçam a viabilidade de sua aplicação, mas já ouvi (e li) sobre empresas que ambicionam instalar seus data centers no fundo do mar, o que em tese economizaria custos de energia e refrigeração (a força de marés para a geração de eletricidade é uma realidade bem antiga, mas nunca usada para este fim); há também quem pense em aproveitar o espaço como um espaço (trocadilho intencional, claro) para instalar seus mainframes: afinal, Google já pensa em oferecer acesso à internet por meio de balões térmicos, e os ganhos com a incidência constante de energia solar seriam, no mínimo, notáveis.

Eu sou uma pessoa curiosa. Quero muito ver para onde os data centers evoluirão nos próximos anos. O futuro é promissor; cabe a nós aproveitá-lo ao máximo!

Sobre o autor

Ideval Munhoz

Ideval Munhoz

Com mais de 27 anos no mercado, sou diretor executivo da T-Systems do Brasil, uma empresa do Grupo Deutsche Telekom e uma das maiores integradoras e provedoras de computação em nuvem do mundo. Sou também membro do Conselho de Administração da T-Systems, presidente da T-Systems Argentina e diretor da Câmara Brasil-Alemanha.

1 comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *