Artigos Ideval Munhoz

Como o Brasil (ainda) pode ser pioneiro na Internet das Coisas

AAEAAQAAAAAAAAYDAAAAJGRkM2FjNWE2LTQ1YmYtNDM3MS05MDIxLWJhM2QwNDJjYzE1MgSe há 20 anos, você me dissesse que o futuro me reservaria a possibilidade de comandar, pelo meu smartphone, a iluminação da minha casa ao mesmo tempo em que ligo a TV já no canal de minha escolha, sem precisar de fios ou de alguma adaptação física local, eu dispensaria isso como um devaneio. Hoje, porém, a realidade é outra: a Internet das Coisas chegou para ficar, entrando em nossa rotina tanto no lar como em nossos trabalhos.

O enunciado da Internet das Coisas já está bem ressoante na mente dos especialistas: até o final de 2020 (tendo começado pelo menos nos dois últimos anos e com expectativa de boom agora em 2016), o IDC espera que cerca de 212 milhões de objetos – telefones, eletrodomésticos, carros, maquinário de fábrica, indústria de manufatura, saúde, sistemas de produção e gerenciamento de estoques, recursos e controle – tudo isso terá uma forma de conexão com a rede. E, com tudo isso, um aumento na demanda de infraestrutura se faz presente (mais conexões = maior volume de dados = mais processamento = mais servidores = mais investimento em TI).

O aspecto industrial é o que mais chama atenção: com a crescente adoção de tecnologias que priorizem a automação de processo em vários setores de mercado – sensores para detecção antecipada de incêndio, smart devices que fazem a leitura automática de fases de um processo de manufatura e se ajusta de acordo -, é fácil especular que alguém mal intencionado poderia tomar o sistema à força e realizar ações mais nefastas (afinal, mais conexões = mais vetores de ataque). Se isso já foi feito com um carro, imagine com um sistema de alarme de uma fábrica de carros?

A grande verdade é que a Internet das Coisas está crescendo muito, mas poucos players estão acompanhando isso por meio de obediência à crescente demanda por recursos compatíveis e investimentos. E isso é uma situação globalizada. Aqui, reside um diferencial do jogo que pode funcionar em favor do Brasil. A nossa T.I., hoje, está em um nível similar aos EUA, por exemplo – especialmente com a (re)importação de talentos que saíram daqui para estudar lá fora e agora voltam.

Temos um mercado aquecido, com o conceito de IoT sendo aplicado em diversas empresas – sistemas que você acessa pelo navegador do seu notebook controlam as funções de sensores, que por sua vez lhe enviam relatórios detalhados em tempo real sobre a situação atual do seu processo. É natural que a preocupação com a segurança venha, mas até o momento, poucos fizeram grandes progressos nesse aspecto tão crucial.

É a chance dos desenvolvedores e empresas de TI brasileiros mostrarem seu valor e talento. O ano de 2016 reserva muitas surpresas. Não é você quem vai querer ficar de fora dessa evolução, não é?

Sobre o autor

Ideval Munhoz

Ideval Munhoz

Com mais de 27 anos no mercado, sou diretor executivo da T-Systems do Brasil, uma empresa do Grupo Deutsche Telekom e uma das maiores integradoras e provedoras de computação em nuvem do mundo. Sou também membro do Conselho de Administração da T-Systems, presidente da T-Systems Argentina e diretor da Câmara Brasil-Alemanha.